quinta-feira, outubro 08, 2009


Transtornos alimentares - Parte 2.

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Depoimento 2:

" Tenho a "ana" e a "mia" há uns quatro anos, falo assim porque não sei ao certo quando começou, mas me lembro bem do motivo. Minha família é bem conhecida na minha cidade e sempre saía em jornais locais falando da minha vida. Nunca gostei disso, até que um sócio de uma das empresas do meu pai tentou abusar de mim, foi o pior dia da minha vida. Ele não conseguiu, graças a Deus, mas essa história foi parar em todos os jornais, foi o maior barraco. Fiquei em estado de choque, não falava, nem chorava, nem nada, estava muito mal. Aí meu pai me mandou para psicóloga sendo que não deu muito certo e eu acabei parando de ir. Lembrar me fazia mal, decidi que ninguém precisava saber o quanto eu sofria, na minha casa não se falava mais sobre o assunto e eu ensaiava um sorriso em frente ao espelho todos os dias para que as pessoas pensassem que eu tinha superado, mas o que eu mais queria era conversar com alguém, botar tudo para fora, mas eu não podia, isso me deixava envergonhada demais, então, foi aí que eu voltei para a escola. Todos aqueles que diziam ser meus amigos me ignoravam, só uma, que é minha melhor amiga, continuou falando comigo. Eu estudo em escola interna, então, minha vida virou um inferno. Todos ficavam soltando piadas, mas como sempre fingi que estava tudo bem, não ligava. Porém, a noite chorava muito e podia ser eu mesma.
Um dia comi muito, porque estava nervosa, e como sempre gostei de manter um corpo, provoquei o vômito e percebi que era muito fácil. E, além de tudo, dava um imenso alívio até na dor de estar sozinha, então passei a fazer isso sempre. Depois de um tempo não precisava mais comer, nunca sentia fome e sentia que a "ana" e a "Mia" eram as únicas que estavam sempre comigo. Sim, eu sabia o que era não comer e também sabia o que era provocar vômito, mas, naqueles momentos, pra mim a "ana" e a "mia" eram minhas amigas, as únicas que se importavam. Fui me afastando do mundo real e só queria saber de dietas e do espelho. E, quanto mais eu vomitava e não comia, mais me via gorda no espelho. Aquilo me dominava e a "ana" e a "mia" foram ficando mais fortes. A voz de ambas gritavam comigo quando eu comia e não queria miar e então eu fazia a vontade delas, pois, para mim, eram as únicas que me amavam de verdade. Mas, depois de um tempo, sempre que provocava o vômito me sentia mais sozinha, quando não comia já não podia mais me livrar delas, porque elas tinham tomado conta de mim, completamente, e me desesperei. Não sabia o que fazer, quanto mais eu queria sair mais elas me puxavam.
Passei mais de um ano nesse terror e sempre acompanhei de perto a história da Anny¹, mas a "ana" e a "mia" me faziam acreditar que eu era fraca e que não podia. Mesmo escutando a minha maior diva dizer que, se ela podia eu também podia, ouvi falar muito do Breathe², mas não tinha coragem de ir lá, até que vi a reportagem a Atrevida. Criei um tópico e estou sendo ajudada há pouco tempo, depois de chegar lá contei pra minha melhor amiga, que me ajudou a contar para os meus pais. Passei por muitas coisas. Fiquei internada muito tempo, teve época que eu quis acabar com a minha vida, tentei de várias formas, sonhei com a Anny me dando forças, e aí topei a melhorar. Sendo que está sendo muito mais difícil do que eu imaginava.
Não desejo isso pra ninguém. Espero que eu melhore e um dia possa ser mais uma vida salva da anorexia e da bulimia."

Julina.

Anny¹: Anahí Puente Portilla, ex-integrante do grupo mexicano RBD.
Breathe²: Projeto apoiado pela Anny, com comunidade no orkut, onde pessoas desabafam e procuram ajuda.

É importante reassaltar que meu objetivo não é influenciar ninguém, pelo contrário, o objetivo é unica e exclusivamente alertar para um dos assuntos mais polêmicos dos dias atuais, e alertar também que tanto a Anorexia quanto a Bulimia podem causar a morte.

Transtornos alimentares.

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Assunto sério hoje. Há um tempo atrás minha professora de Educação Física passou um trabalho, meu grupo ficou com o tema Transtornos Alimentares, como acho esse um assunto muito delicado de ser tratado, decidi que daria o máximo de mim fazendo com que o trabalho fosse visto como minha melhor apresentação até então. Porém, a professora saiu da escola e este trabalho nunca foi apresentado, o que me chateou profundamente. Por isso, resolvi hoje à tarde, ao reler o texto passado por uma outra professora sobre O massacre do corpo, que iria postar dois depoimentos que consegui com pessoas que tinham/têm Anorexia e Bulímia. Antes de mais nada, vou colocar aqui o que seria a Anorexia e a Bulímia, após os depoimentos, os nomes foram trocados para preservar a identidade das pessoas.

A anorexia nervosa consiste numa perda de peso derivada e num intenso temor da obseidade. É uma doença complexa, que envolve componentes psicológicos, fisiológicos e sociais. Podendo estar ligada à problemas de auto-imagem, dismorfia, dificuldade em ser aceito por um determinado grupo, histórias de abuso sexual ou bullying. A taxa de mortalidade é de aproximadamente 10%.

A bulimia nervosa é um transtorno mental que se caracteriza por episódios repetidos de ingestão excessiva de alimentos num curto espaço de tempo, seguido por uma preocupação exagerada sobre o controle do peso corporal, preocupação esta que leva a pessoa a adotar condutas inadequadas e perigosas para sua saúde. Tem incidência maior a partir da adolescência e prevalência de 3 a 7% da população. Costuma causar sofrimento psíquico e afeta áreas diversas do sujeito. O bulimíco se vê afetado em relações sociais - uma vez que festas e confraternizações envolvem alimentação.

Depoimentos:

" Tudo começou há dois anos atrás. Acho que, se eu pudesse, eu voltaria o tempo e pensaria melhor antes de entrar nessa infelicidade em que estou. Eu sempre fui gordinha, mas nem ligava. Comia várias coisas calóricas sem culpa. Mas aí, em uma aula de português, a professora leu um texto sobre distúrbios alimentares, e eu me senti atraída pelas fotos das meninas do livro. Tão magras, cheias de ossinhos aparecendo... Eram fantasticamente lindas. Então, a partir daí eu comecei a querer ser assim. Já não comia direito, não me sentia bem. Se me olhava no espelho, logo ficava apertando as benditas "gordurinhas"... Até que eu tive minha primeira compulsão. Não é nada comparado as que eu tenho agora, mas foi muito marcante para mim, porque foi a primeira vez que enfiei os dedos em minha garganta para tirar a comida que havia ingerido. A compulsão é a pior coisa que uma ana-mia pode ter. Você sente uma vontade incontrolável de comer, e, quando come, não pensa em nada, só fica lá: comendo, comendo, comendo. A partir desse dia, nada foi igual. Começou o inferno que é a bulimia. O terror de subir na balança e descobrir que engordou 1 grama, ou quando perde 1 grama, você não fica contente também. Sempre quer mais, mais e mais. Você não pode se olhar no espelho, porque você tem ódio da imagem que vê, quer quebrá-lo de vez. Você também começa a achar que se cortar é uma ótima punição para quando você come demais, sai de seu LF (low food)¹ ou NF (noo food)². Anorexia e bulimia é um inferno, sua alma é da mia e da ana. Estou em tratamento, mas é uma coisa da minha vida que vou esquecer, nunca mesmo."

Maria, 15 anos.

LF¹: a pessoa determina uma quantidade baixa de calorias que ela irá comer por um ou mais dias e só come alimentos de baixa caloria.
NF²: É quando a pessoa fica sem comer alguns dias.